The little girl who dreams
A little who dreams…
She dreams…
And she pretends…all the time
She becomes something else
With the world
Tickles... speaking
Poignantly…yes
Little catty girl…free
Spinning and laughing
Yes
And she is…
Reaching for the stars
Sparks of light
No limits for love
She looks for the sun
She is never tired of it
With the wind
She rides on thunders
Says hi to the night
Then she rests on trees…
Bathes on waters
Surrounded by beings
Sounds
And silence
She dances…
She is telling her secret to everybody
Who is willing to hear
Light shines trough
She is reaching for the stars…
And up she goes….
She is flying away…
And up she goes…she is flying away…
And up she goes….
Reaching for the stars…
And up she goes…
She knows…she is flying away…
Up she goes….
Para Nadrinha e Zola
terça-feira, 18 de setembro de 2007
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Querida fita crepe
Querida Fita Crepe
De Paula Gelly
Naquele dia ela acordou confusa. Nada fazia sentido. Era apenas a vontade ou necessidade que o tempo passasse. E nada. Não passava. Não passava de jeito nenhum. Tudo bem que não passasse, o problema era o corpo. Não sabia o que fazer com ele. Era tantas vontades, tanta fome, tanta sede que o mundo lhe saía pelo pescoço, a musculatura lhe tremia o sangue, seu estômago esmagava suas esperanças, e seus desejos comprimiam e apertavam no suor do seu buço. Coração, ora pulava, ora calava. Um mar de sensações que até parecia que já não tinha mais corpo- uma luta enfim. Não sabia como escapar de si. Não havia meios de se fazer isso. Não havia.
Começou então a pensar que se fechasse a janela do quarto talvez sentisse um alívio por não ter de se preocupar em “ser” para um mundo lá fora. Fechou. Funcionou. Tentou então todas as torneiras da casa, não deixou um pinguinho sequer escorrer dos canos. Fez xixi, se limpou muito bem, deu uma descarga bem dada e fechou a tampa do vaso. Trancou todas as portas dos armários, preencheu as frestas debaixo das portas, desplugou todos os telefone, televisão, TV à cabo, desconectou a internet, jogou no lixo a bateria de seu celular, tampou o lixo, vedou a geladeira, colocou a samambaia em cima da tampa da máquina de lavar. Por fim, fechou a porta da casa que dava para rua. Rodou a chave na fechadura duas vezes veementemente. Estava livre enfim. Estava presa.
Num súbito medo outra vez, pensou que num lapso de prazer poderia abrir a porta, então resolveu esconder as chaves.
Escondeu muito bem.
Escondeu as chaves onde jamais poderia achar. Ela escondeu as chaves dela mesma.
Sentou-se na poltrona da sala e ali ficou. Contemplava sua sala trancada e sentia-se aliviada. Bem à sua frente o móvel da televisão devidamente trancado, e ao seu lado no sofá muitos controles remotos com suas pilhas fora deles, recém arrancadas. Decidiu prendê-los também pois aqueles aparelhos todos soltos realmente afogavam-lhe a garganta. Enrolou-os então com sua fita crepe dando três voltas bem dadas. “Querida...” , aproveitou e enrolou seus punhos também.
Ah, agora sim. Finalmente presa. Sentada em sua sala lacrada , uma mulher trancada ficou durante horas, silenciosa.
No início da tarde ouviu uma voz humana que passava na rua cantarolando uma canção. Um calor lhe subiu o corpo, dos pés à cabeça. Sentiu inveja. Odiou a idéia de existir um pássaro por exemplo. Estava presa e assim deviam ser todos, não só ela. Quanto mais uma voz humana vindos de um ser provavelmente feliz. Não era justo. Não podia ser “ ...diacho...” pronunciou, chorando ,é claro. Sentiu então vergonha do que havia feito. Queria desfazer mas não sabia como. Não era humilde o bastante, tinha inveja de si e de toda a felicidade que era capaz de sentir. Não lembrava onde havia colocado as chaves.Teve uma idéia brilhante então.
Havia um chaveiro na esquina de sua casa ela sempre passava em frente saindo da padaria. Foi então que pensou que poderia ir até ele e mandar fazer uma cópia da chave para sua porta. Levantou-se abriu a porta, saiu e trancou-a outra vez. Foi até o chaveiro. Pediu cópias da chave. Ele o fez. Com a mestra e suas cópias dirigiu-se à casa e parou no meio do caminho. Sabia que se fosse sozinha fatalmente se trancaria outra vez. Voltou até o chaveiro e pediu para que ele a acompanhasse e abrisse ele próprio a porta. Bem, o chaveiro olhou bem a mulher presa e percebeu como ela era bonita e assustada. Ele então fechou seu estabelecimento, levou a mulher até sua porta, destrancou-a. Ela entrou e agradeceu muito, disse que sem ele , ela não conseguiria abrir a porta de sua casa. O chaveiro entendeu o que a mulher falou. Fim
De Paula Gelly
Naquele dia ela acordou confusa. Nada fazia sentido. Era apenas a vontade ou necessidade que o tempo passasse. E nada. Não passava. Não passava de jeito nenhum. Tudo bem que não passasse, o problema era o corpo. Não sabia o que fazer com ele. Era tantas vontades, tanta fome, tanta sede que o mundo lhe saía pelo pescoço, a musculatura lhe tremia o sangue, seu estômago esmagava suas esperanças, e seus desejos comprimiam e apertavam no suor do seu buço. Coração, ora pulava, ora calava. Um mar de sensações que até parecia que já não tinha mais corpo- uma luta enfim. Não sabia como escapar de si. Não havia meios de se fazer isso. Não havia.
Começou então a pensar que se fechasse a janela do quarto talvez sentisse um alívio por não ter de se preocupar em “ser” para um mundo lá fora. Fechou. Funcionou. Tentou então todas as torneiras da casa, não deixou um pinguinho sequer escorrer dos canos. Fez xixi, se limpou muito bem, deu uma descarga bem dada e fechou a tampa do vaso. Trancou todas as portas dos armários, preencheu as frestas debaixo das portas, desplugou todos os telefone, televisão, TV à cabo, desconectou a internet, jogou no lixo a bateria de seu celular, tampou o lixo, vedou a geladeira, colocou a samambaia em cima da tampa da máquina de lavar. Por fim, fechou a porta da casa que dava para rua. Rodou a chave na fechadura duas vezes veementemente. Estava livre enfim. Estava presa.
Num súbito medo outra vez, pensou que num lapso de prazer poderia abrir a porta, então resolveu esconder as chaves.
Escondeu muito bem.
Escondeu as chaves onde jamais poderia achar. Ela escondeu as chaves dela mesma.
Sentou-se na poltrona da sala e ali ficou. Contemplava sua sala trancada e sentia-se aliviada. Bem à sua frente o móvel da televisão devidamente trancado, e ao seu lado no sofá muitos controles remotos com suas pilhas fora deles, recém arrancadas. Decidiu prendê-los também pois aqueles aparelhos todos soltos realmente afogavam-lhe a garganta. Enrolou-os então com sua fita crepe dando três voltas bem dadas. “Querida...” , aproveitou e enrolou seus punhos também.
Ah, agora sim. Finalmente presa. Sentada em sua sala lacrada , uma mulher trancada ficou durante horas, silenciosa.
No início da tarde ouviu uma voz humana que passava na rua cantarolando uma canção. Um calor lhe subiu o corpo, dos pés à cabeça. Sentiu inveja. Odiou a idéia de existir um pássaro por exemplo. Estava presa e assim deviam ser todos, não só ela. Quanto mais uma voz humana vindos de um ser provavelmente feliz. Não era justo. Não podia ser “ ...diacho...” pronunciou, chorando ,é claro. Sentiu então vergonha do que havia feito. Queria desfazer mas não sabia como. Não era humilde o bastante, tinha inveja de si e de toda a felicidade que era capaz de sentir. Não lembrava onde havia colocado as chaves.Teve uma idéia brilhante então.
Havia um chaveiro na esquina de sua casa ela sempre passava em frente saindo da padaria. Foi então que pensou que poderia ir até ele e mandar fazer uma cópia da chave para sua porta. Levantou-se abriu a porta, saiu e trancou-a outra vez. Foi até o chaveiro. Pediu cópias da chave. Ele o fez. Com a mestra e suas cópias dirigiu-se à casa e parou no meio do caminho. Sabia que se fosse sozinha fatalmente se trancaria outra vez. Voltou até o chaveiro e pediu para que ele a acompanhasse e abrisse ele próprio a porta. Bem, o chaveiro olhou bem a mulher presa e percebeu como ela era bonita e assustada. Ele então fechou seu estabelecimento, levou a mulher até sua porta, destrancou-a. Ela entrou e agradeceu muito, disse que sem ele , ela não conseguiria abrir a porta de sua casa. O chaveiro entendeu o que a mulher falou. Fim
domingo, 2 de setembro de 2007
A História da menininha que amava borboletas
Era uma vez uma menininha. Ela amava borboletas. Amava mesmo de verdade porque sabia que as borboletas contavam histórias. Elas começavam minhoquinhas em seus casulos e então transformavam sonho em realidade; escuridão em brilho; acolhimento em movimento; transformava vontades em espetáculos; transformava as cores; liberdade em paz; borboletas davam as mãos para um mundo inteiro. Esta menina da minha história conhecia muito bem o fiozinho, aquele fiozinho das histórias- o mesmo que a aranha tece.
Certa vez em sua casa, percebeu que havia um casulo grudadinho em uma árvore. Ela estava sempre atenta aos casulos, mas este ela não tinha visto, não havia percebido! Tentou lembrar-se de seu último pedido às estrelas e sim, havia pedido uma borboleta de cores rosa e verdes, vermelhas e douradas. Fez o pedido, mas não encontrava o casulo. Bem, eis que lá estava bem debaixo de seu nariz! E então seus dias foram povoados, preenchidos e nutridos pela surpresa de seu presente pedido às estrelas. Todo o dia sonhava com ela. Sonhava com o que seria sua borboleta. Sabia que não seria sua, mas dentro de seu pequeno coração o que era dela e dos outros compunham uma grande história só isso.
Já contava os dias. Sabia que estava quase. Naquela manhã foi direto lá pra fora antes mesmo de tomar café e então... Sim algo horrível aconteceu sinto dizer-lhes... O casulo estava despedaçado no chão com alguma coisa esquisita escorregando de dentro dele, algo que não se parecia nada com uma borboleta.... a menininha da minha história vejam vocês, não chorou nem uma lágrima sequer. Apenas não conseguiu entender o que havia acontecido. Ficou muito confusa. Quando a menina cresceu a confusão cresceu junto com ela. O que era pra sair ela deixava bem guardado dentro dela; o que era pra ficar ela jogava pra bem longe para não gostar; o que era movimento ficou parado em sua garganta; o que era fome virou medo; o que era dia virou tristeza; e o que era noite continuou noite pra sempre no coração da menina que amava borboletas
Certa vez em sua casa, percebeu que havia um casulo grudadinho em uma árvore. Ela estava sempre atenta aos casulos, mas este ela não tinha visto, não havia percebido! Tentou lembrar-se de seu último pedido às estrelas e sim, havia pedido uma borboleta de cores rosa e verdes, vermelhas e douradas. Fez o pedido, mas não encontrava o casulo. Bem, eis que lá estava bem debaixo de seu nariz! E então seus dias foram povoados, preenchidos e nutridos pela surpresa de seu presente pedido às estrelas. Todo o dia sonhava com ela. Sonhava com o que seria sua borboleta. Sabia que não seria sua, mas dentro de seu pequeno coração o que era dela e dos outros compunham uma grande história só isso.
Já contava os dias. Sabia que estava quase. Naquela manhã foi direto lá pra fora antes mesmo de tomar café e então... Sim algo horrível aconteceu sinto dizer-lhes... O casulo estava despedaçado no chão com alguma coisa esquisita escorregando de dentro dele, algo que não se parecia nada com uma borboleta.... a menininha da minha história vejam vocês, não chorou nem uma lágrima sequer. Apenas não conseguiu entender o que havia acontecido. Ficou muito confusa. Quando a menina cresceu a confusão cresceu junto com ela. O que era pra sair ela deixava bem guardado dentro dela; o que era pra ficar ela jogava pra bem longe para não gostar; o que era movimento ficou parado em sua garganta; o que era fome virou medo; o que era dia virou tristeza; e o que era noite continuou noite pra sempre no coração da menina que amava borboletas
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